sábado, 25 de abril de 2026

o livro



parece que tudo que faço
é enfileirar livros
essa espera
deles e minha
todos eles, em todos os cantos
não somente sobre a escrivaninha
(isto não me desanima)
estão por aí
nessa espera, nossa espera (o livro me engravida)
e nele me acho
e acho que me perco
cada vez mais um atrapalho
( o cheiro deles, melhor que o cheiro delas?)
Helás, o inferno dos livros
meu desatino, meu descabaço
o  livro que rompe 
irrompe meu cérebro em pedaços
pedaços
saíram a rever estrelas
quando partires em viagem á Ítaca 
ser ou não ser
o livro que está dentro de mim
na minha periferia, minha quebrada, bela vista
páginas inteira de finismundo que nunca li, 
galáxias que está aqui
o grande sertão, logo ali
conversas de gravador
nessas repetições
o sólido que se desmancha 
o hamlet, de novo, que quer comer todo o povo
aliás eu recomeço, sem medida
uma colher de chá, 
folhas soltas, embaralhadas
o grande livro que é o tarot
tal e qual a torah
tudo inacabado, para ser mais uma vez interpretado
como da primeira vez
o beijo roubado
fechar o livro e começar a vida
o acaso
se não outro livro
livre de mim por alguns frames
o livro
desenterrá-lo de dentro de mim
pequeno livro, desinteressante
meu livro sem fim


domingo, 8 de março de 2026

estações




aqui não tem mais verão
aquela chuva danada
esse outono que não chega
as folhas paradas
inverno de camiseta
tudo fora do esquema
primavera banguela
nunca mais aquela
tempo e rima frágil
bagunça no dial




sábado, 21 de fevereiro de 2026

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

aquele olhar



e assim ora me vejo
como na hora que  me viste
assim que tu te despistes
embora sua nudez
gerasse minha mudez
seu olhar meu olhar
todas as pistas
as rotas
tudo que despista
que confunde
e agita
minhas pernas bambas
estou aqui
te vendo te carrego
me entrego
com esse mesmo
espreitar