sábado, 25 de abril de 2026

o livro



parece que tudo que faço
é enfileirar livros
essa espera
deles e minha
todos eles, em todos os cantos
não somente sobre a escrivaninha
(isto não me desanima)
estão por aí
nessa espera, nossa espera (o livro me engravida)
e nele me acho
e acho que me perco
cada vez mais um atrapalho
( o cheiro deles, melhor que o cheiro delas?)
Helás, o inferno dos livros
meu desatino, meu descabaço
o  livro que rompe 
irrompe meu cérebro em pedaços
pedaços
saíram a rever estrelas
quando partires em viagem á Ítaca 
ser ou não ser
o livro que está dentro de mim
na minha periferia, minha quebrada, bela vista
páginas inteira de finismundo que nunca li, 
galáxias que está aqui
o grande sertão, logo ali
conversas de gravador
nessas repetições
o sólido que se desmancha 
o hamlet, de novo, que quer comer todo o povo
aliás eu recomeço, sem medida
uma colher de chá, 
folhas soltas, embaralhadas
o grande livro que é o tarot
tal e qual a torah
tudo inacabado, para ser mais uma vez interpretado
como da primeira vez
o beijo roubado
fechar o livro e começar a vida
o acaso
se não outro livro
livre de mim por alguns frames
o livro
desenterrá-lo de dentro de mim
pequeno livro, desinteressante
meu livro sem fim