sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

preciso de um miilagre



preciso de um milagre:

fogos de artificio


pirotecnia


passar uma temporada na bahia



preciso de um milagre:

dar uma volta a luz da lua


ver a grama crescer


ver você de novo nua



preciso de um milagre:

que me deixe


como um feixe de laser


nada a me deter



preciso de um milagre:

que me deixe quieto por um instante


semelhante aquele em que distraído


me vi rindo sozinho


de todos aqueles que dizem:


preciso de um milagre

vem musa

aquilo que me põe no ar

em movimento

que leva o que eu tenho em segredo

vem de outro texto

janela aberta

folha carregada pelo vento


aquilo que pega no contrapé

anzol, anjo caído, muro caiado

gata no cio, inseto desolado

cabelo no chão jogado

criança em loja de departamento



aquilo que está a minha espreita

esperando a hora

o melhor momento

de me arrancar

moer meus pensamentos

fazer com que eu viva

cada momento


aquilo que está por vir

que retira de mim

o breve suspiro

o que eu penso ser um grande tormento


aquilo me modifica

vem musa

põe pra fora o que eu tenho dentro

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

o tempo




uma tarde
cheia de nuvens
logo ali
o céu azul neném

noutro lado do mundo
a noite
e o sol
em alguma praia além

mas isso 
realmente não importa
estamos aqui
não é ?
meu bem




               encontre a chave que te leva ao sossego


a lua girou
e eu aqui a contemplar
você sabe...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

a medida da minha dor



tamos aí no grupo local de galáxias

tipo na periferia de qualquer coisa

e muitas coisas acontecendo
vai rolar uma colisão de mundos
vai-nos engolir um buraco negro
vem aí um gigantesco fogo-fátuo
uma fuga de planetas

vai acontecer uma par de encrenca

estilo um mundo acaba e outro começa
é universo e multiverso se comendo
anã branca virando anã vermelha

é fogo contra fogo

fumaça pra todo lado
mas tem uma ferpinha no meu dedo me incomodando pacas

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

e vem

                                                                                                 para edmilson que não voltou

eu disse pra mim mesmo
estou suficientemente louco
e saí engatinhando

estava trincando
completamente sem condições
de recompor meus pedaços

eu disse pra mim mesmo
como deixar as coisas ruins de lado
como escalar o muro
como deixar o abismo fundo?

eu estava muito longe
nada confortável
e doía pra caralho
tateando sem paredes
sem cor e sem palavra
e meu coração eu já não ouvia
e somente a cabeça
somente e mais nada

eu não dei ouvidos 
para voz que dizia:
está pronto pra voltar?

não era nada disso
mil vezes
não havia por que  vir

mas eu estou aqui

eu disse pra mim mesmo
atrás da nuvem está a lua a surgir