domingo, 20 de janeiro de 2013

mané garrincha




sempre torci pro lado errado
o lado derrotado
que vai parar nos porões
e que fatalmente fica com o lombo cortado

o discurso comportado do rei
o grande amor a ele devotado
os vitoriosos, aquilo que ganha
nunca me interessaram

eu  que não consigo
deixar de acreditar nos deuses
nunca  pude deixar 
de acreditar nos anjos

eu sempre fui do contra
e ele sempre cortava pro mesmo lado
como meu grito um dia será escutado
a torcida um  dia também pôde dar risada

isso nos faz irmãos
do ritmo entrecortado
unidos pelo desejo
do sonho abençoado

Nietzsche, estou com você



"inocência do vir-a-ser"
Nietzsche
estou com você

sobretudo


sobretudo
não o tweed alinhado
mas uma carcaça
pra lá de desarrumada

estica a corda, cumpadi


eu preciso compreender melhor a miséria humana para me conhecer melhor.
é preciso conhecer melhor a miséria humana para melhor me compreender.
é preciso me reconhecer na miséria humana para compreender-me.
compreendendo a miséria humana eu me reconheço nela.

puxa  a corda, cumpadi

a curva em frente



- a estrada segue sempre em frente?
- sim
- mas tem uma curva lá na frente...
- deixe para pensar na curva quando a curva aparecer

meu brasil brasileiro




o afinador de pianos não sabe tocá-lo
os melhores cantores estão longe das rádios
as pontes estão prestes a ruir
os erros médicos estão por aí

as meninas vestem-se de putas
os velhos são choramingas
os homens são menos homens
as mulheres amam mais as mulheres

o melhor time foi aquele que perdeu
todos se dividem em torcidas
as instituições estão todas extintas
para tudo existe uma lei

os bandidos usam fardas
a sociedade virou refém
todos fingem entender
um malandro ajudou Xerém

os caretas dominam tudo
os normais abominam quem escreveu
todo mundo só reclama
com saudade de nada que jamais aconteceu

há algo errado no país que a gente nasceu













somos muitos



estranho para uns
normal para os loucos
inteiro para muito poucos
somos muitos aos olhos dos outros