domingo, 12 de dezembro de 2021

domingo, 5 de dezembro de 2021

Rua Azusa, Teatro NIssi



é um culto.
Assisti uma propaganda dentro do SP2, um programa "jornalístico", entre aspas; as matérias são propagandas, publicidade:  propaganda do governo, vacina, inflação como conseguir um emprego; propaganda da política do medo (assaltos, sequestros), publicidade do governo - o que ele tem feito de "bom". Entre essas outras propagandas aparece a propaganda desse musical: rua Azusa, ele foi vendido como um musical de negros. Gospel. 
O gospel me pegou ainda na infância, são músicas de intensa força, energia. E falam de Deus.
Fomos assistir ontem. Venderam bauru e misto no intervalo.
O musical é um musical evangélico, se eu soubesse não teria ido. Não é o tipo de propaganda que eu gosto de assistir.
Falar qualquer coisa de rua Azusa vai passar, por ser um musical evangélico, por uma análise do que é, para mim, a emergência do evangélico no país.
Muitas  pessoas da plateia, entre crentes, estavam muito negros e negros crentes também, levantavam as mãos e acompanhavam a peça como se fosse fosse um culto, o que definitivamente se transformou na segunda metade.
Números muito bons, inclusive com produção digna desses musicais transplantados da Broadway. é uma produção muito digna, muitos graus a mais que uma produção amadora, dessas de colégio ou de igreja; é uma grande produção. Mas a mensagem neopentecostal domina tudo. Os cantores e dançarinos serão todos crentes?
Agora, o porquê dizer crente, por quê a crítica?
O que faz o Brasil o Brasil, livro que é referencia nos cursos de antropologia pelo bananão afora, foi escrito antes da emergência e da ampliação do povo crente, que caminha célere a tornar-se maioria da população do salve, salve. o lindão pendão, etc. o Livro do Roberto da Matta é de 1986, outros livros para explicar o que é esse lugar, e associando o neo pentecostalismo ao neoliberalismo estão por aí, ainda que não tão definitivos como o livro do da Matta. 
Essa emergência de conseguir resultados, essa emergência, do povo crente, o lance do pentecostes, falar em línguas, gritar e estrebuchar, por todas essas linhas, eu estou fora.
Esse show, esse ritual, estou fora.
Essa situação mesmo de acreditar, eu estou fora.
O musical fala de um pastor que abre uma porta e promove uma possibilidade de através da palavra curar os doentes, resgatar os viciados e prostitutas para o caminho do bem e promover a integração de negros e brancos.
A diferença do brasil e da américa, aqui a maioria da população é mestiça, aqui o povo negro pode, a duras penas, manifestar uma religião afro, a diferença é muito grande.
O racismo é denunciado, mas se perde essa denúncia entre tanta propganda do ser evangélico.
É um musical engajado, com uma missão de transmitir valores religiosos, neopentecostais. Inclusive eu achei isso um porre.
Há horas tantas eles afirmam que o terremoto de São Francisco foi um castigo de Deus.
Acho isso muito perigoso.
Isso é uma mentira.
Eu acredito em outra boa nova, em outro Deus.
Recentemente um novo ministro foi empossado. o ministro é evangélico. Na comemoração a família gritou e estrebuchou e falou em línguas, inclusive.
A manifestação de Deus, ocorre de diferentes formas, provavelmente e inclusive através de gritos e estrebuchos, e através de castigos, mas esse não é o meu deus.
Esse país nunca foi o meu. ele é dos outros. e eu estou cada vez mais fora, de le e de tudo oque está rolando por aqui.





sábado, 4 de dezembro de 2021

Identidade, NetFlix.

 


Preto e branco, né?!
Eu sei o que é enganar os outros e a si, mesmo?
Mulher negra caminha por bairro de brancos na nova iorque '20. está fazendo passar-se  por branca, passa por branca, na loja, no táxi, no hotel. encontra amiga do colégio, depois de dez anos,  que também está a passar por branca. marido desta não sabe que a mulher é negra, one drop rule. reatam a amizade. mais que uma amizade, rola um flirt., me engana que eu gosto.
Esse é o clássico filme cabeça. Tem aquele filme coraçãozinho, né?! Esse filme não vai acabar bem, dá pra saber pela foto promocional. Jogo de cores 
(Em todos os casos acima e embaixo, não me interessa fazer crítica acadêmica ou passível de publicação, sinopse ou referencia. são só impressõezinhas.)
Tem uma chave que liga. Engana-me ou te devoro.

Malone Morre, Beckett



Não ação.
Memórias dos outros, talvez ele seja o Sapo ou Macmann. Mas isso não importa.
Malone nunca viveu.
Nem eu e nem você.
Fazer um inventário de nada. Escrever sobre nada, rotina de não acontecimentos, de delírios. um inventário de porcarias, de vidas de merda.
cada livro traz a marca, o peso dos críticos, dos doutos, onde ele está o livro?  meu bastão não alcança, onde está meu bastão? 
um não romance, sem happy end, ruptura com a lógica, com a academia, estórias que não chegam a nenhum termo, de repente acabam, frases que não se completam, parágrafos imensos, digressões, ideias entrecortadas
andar faz bem, principalmente nos bosques, sozinho é melhor.
Mas o amor de Macmann com a velha nojenta Moll é bonito, como é bonito qualquer amor e

uma temporada no inferno. Rimbaud



algumas traduções são impossíveis, essa é uma delas. 
recentemente traduziram por " uma cerveja no inferno". deve ser mais palatável ou vendável; poesia não vende: "poesia não se venda".
Verlaine estava no Gainsbourg;
pelo que eu li
a vida do Rimbaud é melhor que os versos, não me resta dúvida
.
se eu pego esses versos, sem saber que são de Rimbaud, sem prefácio, sem posfácio, sem essa do "maior poeta', do enfant terriblé. de todas essas , acho o livro chato, ruim. que é o que eu acho.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

as crianças

as crianças vem e as crianças vão
as crianças escutam e as crianças não escutam
as crianças dizem:
- eu vou voltar, e voltam
eu tenho as crianças, ou elas têm a mim?