quinta-feira, 4 de julho de 2019

mar


tem um que de mar em si
irreflexivo, indulgente, que não espera
soslaio, sem sobra, onda.
tem um braço de mar em mim
e nele me afogo, sem dó
cachorro sem rabo, doído.
tem esse mar raivoso
e tua mão, assim tão distante.
onde é que está?
tem esse mar botando pra quebrar
onde nado de costas, olhando outro mar
sereias onde me levar?
aqui onde vim chegar, esse ponto que se arrasta
me traga, traga-me mar

segunda-feira, 17 de junho de 2019



eu renasço
você assobia
ah! esse mar de folhas

neva, vá ao teatro

Neva, teatro Eva Herz

eu recomendo como um band-aid, não há como curar essa ferida imensa, mas vá ao teatro porque
eu recomendo como um pausa entre a folia necessária e a guerra necessária, porque eles vão te xingar e fazer você ter vergonha de estar no teatro enquanto o pau come na rua e as pessoas estão sendo assassinadas
eu recomendo pela ausência de pirotecnia e fru-fru, três atores que cantam e gritam durante hora e pouca, sobre o palco, como tolos, falando sobre a vida: um conto cheio de som e fúria, etc.
eu recomendo porque o ser humano é uma causa perdida mas é e sempre será meu bicho preferido.
eu recomendo porque o teatro é última plataforma, o último pico de lançamento de foguetes, de tapas na cara e enfrentamento que você pode encontrar por aqui e acolá

tapear a morte, a missão

suspensa a folha
o acaso
sustenta meu sonho