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domingo, 13 de novembro de 2011

Capítulo I - Familia Bueno - Árvore Genealógica

Família Bueno

A família Bueno teve sua origem em Piratininga, com o nascimento da colônia. Começa com os índios irmãos Tibiriçá e Piquerobi e Caiubi,  aliados de João Ramalho e que auxiliaram na fundação do Colégio de São Paulo e na consolidação do regime colonial no Planalto.

O primeiro registro da família nessas terras brasileiras é da chegada de

1 -Francisco de Ramires de Porros, de origem espanhola chegou do Paraguai. Era o pai de

2 -Bartholomeu Bueno da Ribeira, que nasceu em Sevilha reino de Castela, Espanha, antes de 1570. Em 1582, veio para o Brasil, em companhia de seu pai, na armada de Diogo Flores de Valdez, na qualidade de carpinteiro.

Bartholomeu Bueno da Ribeira casou com Maria Pires por volta de 1580 e teve um filho do mesmo nome.

Maria Pires, filha de Salvador Pires e de Mércia Fernandes, nasceu em 1564, mameluca, também conhecida como Messiaçu porque sua mãe descendia do Cacique de Ururaí, Piquerobiíndio de São Vicente, um dos irmãos de Tibiriçá.

Um parêntese "Há um boato ainda não comprovado que a Federación de Comunidades Judías de España teria reconhecido Bartolomeu Bueno da Ribeira como um judeu sefaradita e cristão-novo." 

Bartolomeu Bueno da Ribeira. Ele é nascido no bairro de Santa Cruz, em Sevilha. Eu conheço a região. Colado em o Real Alcazar, Santa Cruz é uma antiga juderia de Sevilha. Lá foi cenário de dois dos maiores e mais covardes massacres a judeus da história da Espanha. Santa Cruz só tem duas entradas e saída. No primeiro massacre, eles fecharam e mataram um número absurdo. No entanto, passando-se vários anos, um novo líder entre os judeus se preparava para dar o troco nos guardas, atacando eles à noite. O problema é que esse lider judeu tinha uma filha, que era namorada secreta de um desses guardas. Ela contou a ele o que aconteceu com a promessa de que nada aconteceria com seu pai. Os guardas atacaram e fizeram o massacre como da outra vez, mas com um detalhe muito cruel: o guarda que namorava a menina, liderando o ataque, fez questão humilhar e acabar com a vida de seu pai em praça pública. Por conta disso, a menina em desespero se tornou um freira e nunca mais em vida regressou a Santa Cruz. Porém, como testamente, pediu que ao morrer fosse degolada e sua cabeça posta em uma casa em Santa Cruz como lembrança do que acontece a quem trai a sua famíla. Hoje, de Susona (Susan Ben Suson), filha de Diego Susón, temos apenas um conjunto de azulejos pintados que remontam a sua caveira, que foi o que restou de sua cabeça após apodrecer na vista todos.
https://genealogiadoslemes.wordpress.com/2020/08/28/bartholomeu-bueno-da-ribeira-o-sevillano/


Aqui um parêntese importante:  a descendência de
Piquerobi,  pai de

Antônia Rodrigues casada com Antônio Rodrigues  pais de

Antônia Fernandes casada com Antônio Fernandes pais de
Messiaçu casada com Salvador Pires, pais de
Maria Pires casada com Bartholomeu Bueno da Ribeira, o sevilhano 

Outro parêntese: Antônio Rodrigues ajudou Martim Afonso de Souza a fundar São Vicente. Ele chegou no Brasil, antes do Brasil existir, em 1493.De acordo com os registros históricos, Antonio Rodrigues, João Ramalho e Mestre Cosme Fernandes, o "Bacharel" foram os primeiros portugueses a viver em São Vicente. Provavelmente eles eram tripulantes da armada de Francisco de Almeida e desembarcaram aqui em 1493. João Ramalho era casado com a índia Bartira, filha do poderoso Cacique Tibiriçá. Antonio Rodrigues teve vida marital com uma índia, filha do Cacique Piquerobi. Mestre Cosme era dono do Japuí e do Porto das Naus, onde construiu um estaleiro muito conhecido pelos navegadores da época.

O Nome do filho Bartholomeu Bueno da Ribeira e Maria Pires era o mesmo do pai, mas ele foi chamado de 

3- Bartholomeu Bueno Cacunda. Bartholomeu Bueno da Ribeira, chamado de Bartholomeu Bueno Cacunda, era irmão de Amador Bueno. Nasceu por volta de 1585 e morreu em 1638. Casou-se com Marianna de Camargo.
Esse foi o segundo casamento dele e ocorreu em 8 de janeiro de 1631. Marianna de Camargo, filha de Jusepe de Ortiz Camargo e de Leonor Domingues.
Bartholomeu Bueno Cacunda e Marianna de Camargo tiveram o filho

4- Bartholomeu Bueno de Camargo,  que faleceu por volta de 1685 e foi casado com Izabel de Freitas, teve o filho

5- Pedro Bueno de Camargo nascido em 1675 (casado com ? que teve o filho 

6-
Pedro Bueno de Camargo    (nascido em 1730?)  " casado em 1766 em Atibaia com Marianna Bueno de Camargo filha de João Pereira de Camargo e de Izabel Bueno de Moraes pai de

7- Pedro Bueno de Camargo  batizado em 1777  em Atibaia foi casado com Antônia Maria da Silveira Franco era o pai de

(uma diferença muito grande de idade, o filho nasceu quando ele tinha 50 anos de idade?)

8- Antônio Bueno da Silveira  nascido em 1834 que casou-se no Amparo em 1857 com a Anna Maria Salles, também chamada Anna Maria do Espirito Santo ou Ana de Sales Xavier  cujo pai era Francisco de Salles Xavier.

 9- Antônio Bueno da Silveira e Anna Maria Salles foram pais de

10- Maria Cândida Bueno do Nascimento, nascida no Amparo e que foi casada com Zacharias do Nascimento pais de

11-Adeldina Bueno do Nascimento  e casada com
Caetano Miele , pais de

 
12- Dirceu do Nascimento Miele casado com Consuelo Loureiro do Nascimento pais  de

 
13- Mauricio do Nascimento Miele, nascido em São Paulo em 1964 e casado em 2002 com Lucimara Adriana Maia Miele




Fonte:

http://www.holtzgen.com/individual.php?pid=I19543&ged=bernadete.ged

https://osamparenses.com.br/bueno-de-camargo/

Genealogia Paulistana, Silva Leme, Volume I – Pág. 370 a 418, Título Camargos.


http://www.saovicente.sp.gov.br/conheca/povoacao.asp











sábado, 12 de novembro de 2011

Introdução: Bueno, outras estórias

Gosto de pensar que temos somente algumas perguntas fundamentais, pedras-angulares de nossa angústia profunda, para responder:


-De onde eu vim?

-Para onde eu vou?

-O quê é que eu estou fazendo aqui?

Se a Genealogia, estudo do parentesco, obviamente não reúne as condições necessárias para responder- não da forma profunda que a primeira das perguntas fundamentais está colocada - ela responde á objetivos menos importantes.

Fiz através da Genealogia, um passeio ao passado.Querendo saber o nome do avô do meu avô, consultei o Google, o novo oráculo, e cheguei a um lugar, que eu não esperava chegar.

Voltei ás praias virgens, ás “índias passivas e ofertantes, que andavam nuas e não sabiam se negar a ninguém"; a certo Antônio Rodrigues “que ninguém sabe como veio parar aqui”; a uma briga de caciques irmãos, um atacando o Colégio, o outro defendendo-o,fragmentos de história, e isso me deu uma coceira, uma vontade de escrever uma estória.

Mas eu quis escrever a estória, antes da história dos Bueno, ou depois?

Ah, sim, de novo: O que eu queria saber ? O nome do avô do meu avô; pois que ele se chamava Antonio Bueno da Silveira.

O caminho das pedras da pesquisa foi um: Anna Salles Bueno. A vovó Buena, avó da minha bisavó Maricota. O nome de um antepassado mais distante que eu conhecia.

Contava-se uma lenda na família, a minha família descendente da Vovó Maricota, que descendíamos de Bartira e João Ramalho. Fui pesquisar e cheguei a resultado diverso, mas não muito distante.Nós somos descendentes não do Tibiriça, pai da Bartira, mas do irmão dele o Piquerobi, cunhado do Antônio Rodrigues, um daqueles que "nínguem sabe como veio parar aqui".

Ao fazer a pesquisa eu quis, como na música de Gilberto Gil, saber o nome do avô do pai do pai do avô do meu avô. É uma história, (estória?) complicada mesmo.

Todo aquele que se aventurou a ler a Genealogia Paulistana de Paes Leme, que é a Bíblia, o livro a ser consultado sobre as famílias de São Paulo sabe do que estou tratando: números, capítulos, parágrafos, vai e volta; de Bueno para Camargo, daí a Carvoeiros, e agora Pires e de novo Bueno. Perder o fio da meada, ali, é muito fácil.

Como em qualquer família, muitos se perderam no caminho... E a mim não restam dúvidas que a história de uma família é muito mais rica em estórias do que qualquer outra coisa. De filhos que não estão ali, ou de outros, que não filhos ,estão ali.As estórias não estão no Paes Leme.

A estória é mais que a história. A estória, um arcaísmo, como a genealogia. A estória, em oposição à história, oposição ao oficial, ao registro do bacharel. A estória, arcaísmo, uma caixa de pandora carregando outro saber.A estória quer mais que a história, como o mito explica tudo. Explicam tudo a fábula e o folclore também.

Através da Anna Salles Bueno cheguei ao nome do marido dela: Antonio Bueno Silveira Camargo.Uma vez conhecendo-se o nome do avô do meu avô, restou-me continuar esse caminho, e se obviamente não me interesso por chegar até Adão, já que sei que sou filho de Xangô,( e essa resposta  estava na música do Gilberto Gil) descobri que o pai do avô do meu avô era Pedro Bueno de Camargo.

Esse senhor Pedro Bueno de Camargo era bisneto de outro Pedro Bueno de Camargo, neto do bandeirante Bartholomeu Bueno Cacunda, irmão de Amador Bueno, aquele que foi aclamado rei de São Paulo.

Bartholomeu e Amador eram filhos do Sevilhano, Bartholomeu Bueno da Ribeira.

Bartholomeu Bueno da Ribeira casou-se com uma das filhas do cacique Piquerobi, irmão de Tibiriçá.

Nenhum motivo de orgulho. Milhões de outros brasileiros descendem de algum dos pioneiros que habitavam a São Paulo de Piratininga do século XVI. A estimativa é do professor emérito da UFRJ e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, Francisco Antonio Doria. Os descendentes desse primeiro Bueno chegam aos milhões. Se tivéssemos cerca de 3 filhos sobreviventes por casal elevado a 15, que é o número de gerações nascidas no Brasil, o resultado chega à casa dos 15 milhões de pessoas.

Descender da brava gente bandeirante que “reuniu grande escravatura indígena” que foi “grande sertanista caçador de índios” não me dá motivo de orgulho, antes penso no Karma.

Importante é a memória, é a imaginação. Chegar em outro lugar que não se imaginava na saída.

Aquele objetivo menos importante, o de achar o nome do avô do meu avô, e do avô daquele, e do avô deste, foi alcançado, e a árvore genealógica está montada numa das páginas a seguir.

A coceira de escrever uma estória fez com que eu escrevesse esse livro. Ele está dividido em três partes.

A primeira  parte é a da história, da árvore genealógica, dos fragmentos de história desses personagens que tem história: Piquerobi; Antonio Rodrigues; Maria Pires, a Messiaçu; Bartholomeu Bueno Cacunda; Pedro Bueno Camargo.

Um capítulo necessário é o Caminho das pedras; nele mostro como fiz a pesquisa e como cheguei á Piquerobi.

A segunda parte escrevo as estórias da minha família: Vovó Maricota; o Tio; os sobrinhos do tio; as festas na Vila Itororó.

Eu me lembro de muitas estórias: a Vovó Maricota despediu-se de todos antes de morrer, deixou de almoçar á mesa do Miele após uma discussão; o Tio quando estava de pileque chamava todos de Oh! Pedrinho. Os primos voltando dos bailes de madrugada numa outra São Paulo; das festas da Vila Itororó que duravam uma semana, do Natal ao Ano Novo.

Minha família, minha gente está acabando.Não tem mais quase nínguem que lembre, mas tem muita gente de quem lembrar. A memória não pode se perder; quem não está na história precisa ter sua estória registrada.

Se escrever as estórias da família não foi fácil, fazer a árvore genealógica não foi tarefa simples. Esse Paes Leme não é fácil de ler (capítulos, parágrafos, números, de Bueno a Pires, etc., etc.) e esse senhor Pedro Bueno não é fácil de seguir. “Pedro Bueno não gostou da nomeação de Domingos Correa da Silva como capitão das minas, ficou desanimado e retirou-se para as cachoeiras do Rio Doce.” O que teria acontecido a ele após isso? Oh! Pedrinho não desanime não se esconda de mim.

Eu perdi o Pedro Bueno de Camargo, duas três, vezes. Cadê ele? Ele ficou lá na página 418, sozinho, sem mais nenhuma referência, como 2-3. Reapareceu na página 154 do volume 2 como 5-3, novamente sem mais referências. Será o mesmo Pedro Bueno de Camargo que reaparece com 4-6 na página 187 como o pai do avô do avô do meu avô Antonio Bueno da Silveira?

Nem tudo está registrado no Paes Leme. Falta eu ter a certeza que o Pedro 2-3 é o pai do Pedro 3-2, que vem a ser o avô Antônio Bueno da Silveira, que é avô do meu avô Tonico, também chamado Bueninho, ou oh! Pedrinho, ou simplesmente o Tio.

Esse furo eu não consegui, ainda, resolver. Onde foi parar Pedro Bueno de Camargo? O que ele fez quando retirou-se para as cachoeiras do rio Doce?

Aqui começa a terceira parte do livro. Os fragmentos de história que chegaram dão margem a muita estória.

A estória de Antônio Rodrigues, o companheiro de João Ramalho, como ele veio parar aqui?

Por quê Piquerobi atacou o colégio, defendido pelo irmão Tibiriça?

Por quê Bartholomeu Bueno, virou o Cacunda?

Como foi a viagem do Sevilhano com os filhos?

Onde acaba a história, começa a estória. Para preencher os furos eu pensei em criar, inventar uma história. A estória dos sete Bueno, antes do avô do meu avô.

Eu pensei : O quê une essas pessoas?

Sete estórias, sete pecados capitais.

Ou algo biblíco? A estória do Francisco Ramires, pode ser o Genesis. Um episódio do Exôdo o Bartolomeu Cacunda. O livro de Jó, Daniel na cova dos leões, O livro de Ruth, e assim por diante.

Que estória eu vou contar? É toda essa história, são essas estórias que nesse livro eu vou contar.