sexta-feira, 14 de setembro de 2012

existe um milhão de coisas que não cabem dentro dessa linha / a vida não cabe no bolso # 27




não se trata de buscar linearidade
isso não existe
existe a invenção da linearidade
a invenção de sentimentos
de dores e remédios

mas nesse lugar que não convém
- a corda bamba -
onde tudo converge e se expande
vibra e chama
nada tudo
&
não tem tratamento
não tem tratado
não tem tratador
não tem chicote que segure a fera
o bicho que nós temos no fundo

não é simplesmente loucura
é complexamente loucura

não tem pauta
nem pistas no caminho
não há fio de linha para voltar pra cima
  - o resgate da fera encarcerada -
vai se fazendo
e há um errro aqui e ahli
e o que minha cabeça não aguenta
eu jogo o coração
e se o coração não aguenta 
os sentidos e a força da potência
eu jogo
e se não há espasmo
eu irei na fé de sempre

não é inteligível
entendível
decupável
é o corpo em pedaços
em frangalhos
quebra cabeça
cabra cega
racha cuca
esconde-esconde
no meio da noite está o segredo
no abandono de si mesmo
no olhar do outro
e evidentemente na criação de arte

se eu te pegar eu te beijo
eu fecho contigo 
sete dias antes do fim do mundo
antes que a noite clareie
antes que a fera espreite
antes do fim do começo
antes que termine o dia

somente as coisas novas e belas

cada coisa em seu lugar ou nunca não existem

a vida não cabe no bolso 





Um comentário:

  1. Sempre que tenho algum tempo disponível e sou lembrado, através de seu e-mail, de que existe uma muito boa poesia para ser lida em seu blogue, venho até aqui e a leio. Continue divulgando e/ou lembrando seus leitores de que uma poesia os espera para ser lida aqui, ok? E um grande abraço.

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