quinta-feira, 20 de setembro de 2012

sobre ir além dos muros da escola, mudar o mundo e assumir o controle da vida



O presente texto pretende refletir o teor do diálogo realizado com colegas das disciplinas de Ciências Humanas (Filosofia, Sociologia, História e Geografia) no 4º Encontro Presencial REDEFOR /área CHT.



Um dos objetivos do Encontro foi uma reflexão sobre a transformação do aluno de Ensino Médio em sujeito de sua formação, bem como as atividades de Cultura e Extensão Universitária poderiam colaborar com as escolas de Ensino Médio para se atingir esse objetivo.

Naquela ocasião, como forma de orientar nosso trabalho, foram usados dois textos. O primeiro deles de Wautier, com foco para a proposta de François Dubet sobre as três lógicas de socialização.  E um texto sobre o papel da área de Cultura e Extensão Universitária, da Professora Maria Arminda Arruda.

Na presente atividade, foi nos solicitado responder a duas questões em formato de proposta de ação no Ensino Médio, usando para isso a experiência do diálogo realizado no encontro e a leitura dos já citados textos:

Como, na Escola, consolidar o aluno do Ensino Médio como sujeito de sua própria formação, mobilizando para isso a compreensão de que três lógicas de ação agem na formação da identidade do aluno?

Poderiam ações junto à comunidade local, a exemplo de ações de extensão e cultura, favorecer esse processo? O que pode fazer a Escola para isso?

Segundo o texto, a experiência social é o resultado de uma articulação aleatória entre estas três lógicas: a integração, onde o ator é definido pelos seus vínculos com a comunidade, onde o externo é coercitivo, a ordem é reproduzida, e existem papeis que são esperados de ser executados, não acontecendo isso ocorre o desvio; a estratégia, onde o ator é definido pelos seus interesses no mercado, aqui o máximo do individualismo, uma perspectiva liberal, as ações soa um meio para atingir determinados objetivos e a subjetivação, onde o ator é um sujeito crítico frente uma sistemática de alienação, e em determinado momento o ator toma consciência e da um passo além, assumindo controle da própria vida. (WAUTIER, 2012).

São lógicas autônomas e não hierarquizadas. São três lógicas, três tipos de explicação da sociedade, e todos nos deparamos com elas, ao mesmo tempo. Porém emerge dessa leitura a convicção de que entre elas seja imperativo que procuremos, para que haja um mundo mais justo e solidário, a formação de um aluno crítico.

Na difícil tarefa de fazer com que o aluno passe a ser sujeito crítico, surge a figura do professor, que busca ele também ser sujeito crítico, assumir o controle de sua vida.

Para isso o professor deve ser curioso, e despertar a curiosidade, saber que é necessário dominar determinados conteúdos, que são imprescindíveis para poder formular hipóteses ou críticas, ser ele mesmo um eterno aprendiz, buscar sempre o estudo, a leitura; permanecer atento a importância das transformações de suas condições de trabalho, e dessa forma estimular aos alunos que façam o mesmo.

Na sala de aula, durante sua prática cabe ao professor a tarefa principal de não se constitui em agente autoritário e propor ações que despertem a independência dos alunos e coloquem sentido naquilo que acontece na relação ensino-aprendizagem.

Tais ações sugerem, entretanto, relações individuais. “O” professor e “o” aluno conseguem, com muito custo e luta assumir o controle de suas vidas.

Aqui ocorre, então, a necessidade de expandir esse movimento, pois só assim ele poderá ser pleno, e isso deve ocorrer através de ações junto a comunidade, através de ações de extensão e cultura.

A Professora Maria Arminda em seu texto afirma que “o dilema da área de cultura e extensão resulta de uma dificuldade de pensá-la para além da estreita divulgação e da simples prestação de serviços e de atendimento de demandas, mas, em especial, da necessidade de distingui-la do domínio do mercado”. (ARRUDA, 2012).

A única maneira de extrapolar o individualismo, ir além da proposta de tornar-se sujeito da própria vida, é fazer isso junto a comunidade.

Na sua crítica a professora Maria Arminda Arruda assegura que a universidade “não cumpriria seu papel de formar cidadãos para o mundo em movimento, caso não democratizasse e difundisse o acesso à cultura, êmulo da ultrapassagem das profundas desigualdades sociais”. (ARRUDA, 2012).

Da mesma forma a escola não pode cumprir seu papel de difusor da cultura e transformadora da sociedade, se ela não ultrapassar os muros e buscar integração e articulação junto a comunidade local, promovendo ações que discutam o valor da independência e de uma consciência crítica do mundo.









Bibliografia:
ARRUDA, M. A. Políticas Públicas de Cultura e Extensão Universitária (págs. 9 a 14). Disponível  em: http://www.prceu.usp.br/revistausp4.pdf. Acesso em: 4 set. 2012.

WAUTIER, A. M. Para uma Sociologia da Experiência. Uma leitura contemporânea: François
Dubet. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/soc/n9/n9a07.pdf. Acesso em: 4 set. 2012.

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