quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Convenientemente, uma verdade inconveniente,



O documentário "Uma Verdade Inconveniente", premiado com o Oscar de melhor documentário descreve as graves consequências do aquecimento global.

 A produção utiliza estudos científicos que afirmam que o aquecimento global gerado pelas emissões de gases poluentes causará uma mudança climática que acabará com a vida atual tal como a conhecemos.

Uma verdade inconveniente é um documentário muito bem estruturado, é uma grande produção de hollywoodiana, com direito a efeitos especiais, gráficos visualmente atrativos e apelos melodramáticos na busca do convencimento de suas assertivas.

Pelo envolvimento de Al Gore com a ecologia, mas principalmente pelo filme, o político que chegou a ser vice-presidente americano, ganhou muitos prêmios, inclusive um Nobel. 

O filme arrecadou muito dinheiro e é o sexto documentário em arrecadação na história dos Estados Unidos.

Todo esse sucesso, a grande repercussão do filme, gerou muita polêmica e popularizou o debate científico sobre o tema do aquecimento global, ou como querem alguns, das mudanças climáticas.

Ao analisar o filme, e criticá-lo, diversos autores apontam erros no filme. São apontados erros de conteúdo, imprecisões científicas, e conceito, ao colocar um político falando de ciência.

 Por imprecisões cientificas um magistrado americano, exigiu que antes de cada exibição ”sejam apresentados os argumentos contrários às informações divulgadas pela peça de propaganda, plena de erros – erros que, segundo o magistrado, não resistiriam a uma análise científica imparcial”. (PONTES, 2007)

Quando um político usa a ciência em seus argumentos a climatologia não gira em torno da investigação, dos métodos, dos experimentos ou testes de hipóteses. Na práxis goreana, evidências empíricas ou lógicas dão lugar a (in)convenientes verdades e a estranhos consensos.” (MAUAD,2007)

O tom alarmista do filme encontra eco em no discurso de outras pessoas, inclusive de James Lovelock autor da Teoria de Gaia, mas embora a maioria da comunidade científica defenda que exista um aquecimento global, e que ele seja causado pela queima de combustíveis fósseis, o tom dos defensores dessa hipótese vem tendo posições mais moderadas, menos alarmistas ou apocalípticas.

Verdadeiramente a polêmica levantada pelo filme ultrapassa o tema do aquecimento global, se é a industrialização, o modo de vida atual, a responsável pelas mudanças climáticas, e nos leva a outras indagações: qual é o modelo de desenvolvimento que queremos? Como o gênero humano se vê diante da natureza? Quais são os limites da ciência? O que é ciência?

Essas indagações, e a controvérsia causada pelo filme, vêm colaborar na prática da sala de aula, estimulando a leitura e a não acomodação com verdades, convenientes ou inconvenientes, buscando sempre revelar que as dúvidas não nos fazem empacar, são elas que nos levam adiante.


REFERÊNCIA
MAUAD, João Paulo. O triunfo do medo. Disponível em: < http://www.fimdostempos.net/al-gore-oportunista-hipocrita.html. Acesso em 27/08/2012>
PONTES, Ipojuca. Al Gore e o ecoterrorismo. Disponível em: http://www.fimdostempos.net/al-gore-oportunista-hipocrita.html. Acesso em 27/08/2012>

Nenhum comentário:

Postar um comentário